Roberto Gonçalves (Beto da Montanha)

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"

Textos


O impressionismo

     O homem moderno, circusnscrito por um sistema político complexo, no qual pesa uma civilização, espacapa à análise de qualquer participação. Entretanto, ele está inteiro em suas obras de arte que o exprime com sutilidade frequentemente desconcertante.
   A filosofia, as letras, as ciências, só apresentam um aspecto de sua atividade. A arte põe audaciosamente a nu, a descoberta todas as suas emoções.
 Porém, sua atividade estética é superabundante. Ela sucede as esferas da nossa expectativa. O hábito tende a alienar todo o sentido preciso, para a multiplicidade mesma dos usos que se fazem da palavra e da coisa. Atualmente, tudo é moderno: a casa, a mobília, o avião. A pintura moderna, a escultura, ou mesmo o conforto do lar, a menor novidade é chamada: moderna.
    A arte moderna é apenas a arte de uma época. O moderno, em arte, é a expressão mais completa e a mais verdadeira de um século. Qualquer realização de inspiração autêntica, é moderna. A arte tende a dar uma imagem do povo, de suas manifestações sensíveis e intelectuais; de suas aspirações, de seus sonhos, de sua civilização, de suas pesquisas, de seu progresso. É moderna por estar expressa, por ser o efeito de um momento. É por isso que as fases da atividade do homem jovem se percebem por suas obras de arte, que conservam dele, uma impressão nobre e verídica.
      Parece, entretanto, que a pintura nos mostra melhor a categoria de um fato moderno, que nos atinge mais que a arquitetura ou a escultura.
O centro da nova corrente de pintura é Paris. Neste lar muitos artistas estão em constante gestação. 
  Estes artistas desejam estabelecer uma harmonia, uma equação entre sua sensibilidade e sua expressão. Eduardo Monet — e o Almoço na Erva, mostra a idade moderna, uma tomada de posse de vida imediata, não de uma maneira conformista, mas francamente, audaciosamente realista; não de uma forma antiga, baseada nos acadêmicos, mas uma visão nova, uma nova forma de pintar, de exprimir. A vida contemporânea se desdobra. Por isso Manet e os artistas independentes pressentem confusamente.  Ele se torna então um choque — sua personalidade orienta as tentativas da época.
     Os jovens artistas que seguem Manet, travam debates entusiasmados sobre seus pontos de vista; os reacionários o aceitam cegamente. Revolução contra o convencional, o acadêmico, as leis da pintura oficial, que os impedem de se modernizar.
Manet oferece ao público " Impressão, sol nascente" — então o termo vai ser empregado pelos críticos no tom mais pejorativo. Esse gênero de pintura mostra, não a própria coisa, mas o vago, o informe, e o nebuloso. Segundo un crítico  contemporâneo, estas pinturas mostravam apenas a ausência de cor e desenho.
     Os pintores, se de início rejeitam esta palavra, depois se tornam e fazem dela seu termo de glória. O impressionista tinha a única intenção de mostrar em suas obras um momento das coisas, um aspecto do universo, em eterna transformação.
       Para os pintores impressionistas, a beleza está exatamente na qualidade da luz, na transparência do tom, na serenidade do conjunto.
       O impressionismo é a expressão forte e viva de um momento de sensibilidade artística, um rejuvenescimento da pintura, que foram o fruto mais do instinto do que das ideias. Nenhum movimento artístico se aproximou tanto da poesia, no que tem de ardente e expontâneo. Eles preferiram a realidade a literatura, o presente ao passado, as sensações ao sonho. Amaram a grandeza da Natureza e do homem, as paisagens simples, os suburbios, os passeios de barca, mas também o prodigioso tumulto urbano, o cais cheios de vapôres e de sol, os bares; eles pediram ao tempo, uma força, um segredo que escapa ao Tempo, a lição direta e impolgante da vida. Para eles, a vida não é função e servilismo, mas plenitude e profusão, poder de troca e de renovação. Eles pintam a mobilidade, a diversidade, a passagem.
     Os estudos ao ser livre, revelaram uma côr completamente diferente da empregada até então. É uma gama clara, luminosa, luz artificial algumas vezes (DAGAS), luz natural na maior parte dos outros pintores da época.
      O estudo da luz física, tornou-se a pesquiza apaixonada  dos impressionistas. Dagas gosta de captá-la no mundo excentríco do teatro. Embora Dagas prefira o desenho para se manifestar.
    O modêlo não importa — Monet pinta a catedral de Rouen dezessete vezes. O que encanta é a variação que a luz impõe.
  Os impressionistas foram modernos, exprimindo a vida contemporânea por uma técnica estabelecida em bases empíricas. Um feixe inconsciente de descobertas, que se encadeiam caracterizando esta época.
      Esta pintura é feita ao ar livre, não no atelier. Exemplo: Prazeres de verão (Monet).
   As outras escolas anteriores também pintaram ao ar livre, mas jamais um caráter definitivo.
    Renoir foi o grande mestre da escola impressionista. O ar livre, a distribuição do toque, e do tom implicam em uma ilusão ótica, a luminosidade da matéria pictórica, e a claridade das sombras coloridas e pela aplicação das côres complementares, dão uma pintura poética, intuitiva e fresca.
      Rubens desenvolve o espaço e o movimento da matéria. O aspecto atormentado e ao mesmo tempo jovial do desenho, é uma resposta adequada aos reflexos, a flama da vida que anima a carne de seus personagens, anunciam a descoberta do impressionismo.
    Os impressionistas derrubam uma tradição venerável na pintura, cuidadosamente mantida desde a renascença. A côr local, isto é, a côr característica das diferentes matérias, e a consequente ilusão visual da estrutura — dos tecidos, etc., de modo que nos comunicasse a sensação de sua aspereza, maciez ou pêso. Eles no entanto se abastrairam de todos os elementos da realidade, objetivos ou subjetivos. Assim sendo, para o impressionista, não existem na natureza côres permanentes. A côr torna-se elemento dinâmico, em constantes transformações. 
   Produzidas pela luz do sol, que está constantemente variando, conforme a incidência dos seus raios através das camadas atmosféricas, as côres da natureza estão variando constantemente. Estas são variações lentas, que passam despercebidas ao olhar menos exercitado. 
     Outro aspecto importante é a conclusão de que a forma das coisas não é dada pela linha, mas pelo limite das superficies coloridas ou melhor, iluminadas. As formas são criadas pela luz.
    A luz do sol penetra tudo, não existindo ausência de luz na natureza, nem ausência de côr, por isso não existe na natureza a côr preta. Consequentemente  não usam mais essa côr. Passaram a utilizar as côres do espectro solar, obtendo luminosas e festivas transparências.
      Os impressionistas davam aplicação artística as descobertas científicas de sua época, e naturalmente atualmente revisadas e substituidas, graças ao grande progresso no estudo da visão e das cores. 
   Observaram que as superfícies de áreas coloridas são uniformes aparentemente, porque um número infinito de cambrantes e diferentes matizes, devido não só aos raios solares, mas também aos reflexos luminosos, ao jôgo dos contrastes nas e das cores complementares. Essa acuidade visual, extremamente analítica, impõe uma técnica de pinceladas miúdas, livres e rápidas.  
                            Roberto Gonçalves
            ​Escritor

Bibliografia:
   Historia del Arte - Germaine Bazin, Editions Albin Michel               S/A, 1986.
    Peinture Moderne - Maurice Gagnon, Edição Bernard                   Valiquette, Montreal, 1940.
                        
Beto da Montanha
Enviado por Beto da Montanha em 27/06/2016
Alterado em 09/07/2016
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