Roberto Gonçalves (Beto da Montanha)

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"

Textos


Filosofando

A história somos nós mesmos, e esta será em ampla medida aquilo que tenhamos querido que fosse.
O hábito do compromisso enfraquece toda a energia espiritual. No homem demasiadamente dado às transações morais restringem-se as diferenças entre o bem e o mal, entre o verdadeiro e o falso, o lícito e o ilícito. Os critérios oportunísticos nele prevalecem sempre sobre os critérios éticos, e sua personalidade é como um tecido cheio de rasgos e remendos. Em muitas circunstâncias  da vida é preciso, ao contrário, tomar partido, decidir-se, escolher, com absoluta clareza, afrontando os riscos e as responsabilidades inerentes à escolha feita.
Quem é amigo ou amante verdadeiro deve também saber e poder dizer coisas que não agradam, quando são verazes e úteis. Os afetos açucarados, demasiadamente indulgente e protetores, transformam a pessoa mimada em enfant gâte, em personagem pueril e viciado que aprenderá à própria custa, escarnecido e sem proveito, o que deveria ter aprendido muito tempo antes
Entramos em relações e situações extremamente delicadas e complexas sem conhecermo-nos como entidades biológicas, psíquicas e espirituais.
Vejamos o exemplo na situação que se segue, no mundo do amor. Homens descarados, impudentes, podem ter sucesso com mulheres vulgares, a quem agrada o que é barato porque não sabem fazer outra coisa, Mas impudência é a lei que governa somente as relações entre homens e mulheres sem pudor, é uma tática grosseira que somente funciona bem quando é a própria regra do jogo. Entre homens não vulgares, entre pessoas que não se identificam visivelmente com seus apetites sexuais, a impudência se revela imediatamente tal como é — má educação e, em última análise, estupidez. O estúpido, com efeito, não se dá conta da natureza própria das situações, não entende que maneiras são oportunas ao comportamento e quais, ao contrário, deve evitar. O impudente não é inteligente porque não compreende que cada situação erótica é uma situação espefícica. Aplica indiscriminadamente usa tática de impudência na convicção de que o pudor seja uma fábula inventada pelos moralistas. Mas esse erro de apreciação não é o mais grave. Entende ainda, com presunções sem limites, que os véus do pudor devem cair sob o impulso de sua iniciativa. Poder-se-ia perdoar-lhe uma filosofia erótica banal que interpreta a feminilidade em termos exclusivamente sexuais. Imperdoável é a pretenção de que cada mulher confirma justamente com ele a verdade de sua suposta e inverossímil filosofia. 
E, realidade não são somente os outros ou as coisas exteriores a nós; realidade somos também nós com nossa ação que modifica incessantemene a nós mesmos e ao mundo.
O homem espiritualmente adulto aceita o mundo humano imperfeito e se esforça para torná-lo menos imperfeito. Não tem certezas, direitos, exigências perempitorias. Tem esperanças pelas quais trabalha. Uma vida sem dores, sem necessidades, sem dificuldades, sem privações, sem riscos, não é uma vida humana. A felicidade deve ser buscada dentro da condição humana, que sabemos imperfeita e insuficiente. E, justamente por ser imperfeita e insuficiente gera a desconfiança. Não uma desconfiança estéril e patólogica, mas uma posição serena aclarada pela reflexão. O ato de duvidar constitui o primeiro passo em direção a uma consciência não dogmática, em direção a uma visão do mundo consciente e reflexiva. A ciência é derivada mais da dúvida do que da admiração. O homem espiritualmente adulto é o capaz de duvidar de tudo, mesmo das coisas aparentemente sagradaas e invioláveis. A maturidade intelecual, por outro lado, não consiste num instinto de profanação que retira das coisas seu mistério e seu valor, mas em uma vocação criativa que submete as coisas a uma pesquisa livre e sem preconceitos. Duvida-se poruq não possui a certeza, mas a dúvida não é destinada a destruir a certeza, e sim a recuperá-la colocando-a em bases solidas. Como para Descartes, também para o homem moderno a dúvida é uma posição metódica e provisória, não uma solução defintiva.
Por outro lado, a humanidade completa se alcança tambem quando a natureza, em nós e fora de nós, está perfeitamente domada e ajaejada, quando é obrigada a servir aos objetivos da civilizaççao. O probelma urgente de nosso tempo não é o probelma imaginário de voltar a viver nus, entre imagináveis danças, imagináveis cânticos e guirlandas de flores, É o de evitar que, em nossas mãos, se transformem em engenhos infernais os instrumentos maravilhosos da civilização. 
Muitos creên servir ao futuro considerando abstratamente a mulher ao mesmo plano do homem, pedindo-lhe tarefas iguais, esforços iguais. iguais responsabilidades. Por esse caminho se chega ao mito abstrato e indiferenciado do homem assessual. Se se afrima a igual dignidade dos sexos, essa equivalêncai moral  não significa que seus deveres sejam identicos. Diversa é a hiologia,m diversa é a psicoloia, diversa é a vida espiritual. A mulher que cora por sua nudez talvez tema não ser suficentemente bela aos olhos de quem a vê, mas o mêdo maior deriva do fato de que a nudez a faz todaa e apenas coirpo. 
Cada sexo tem a sua  contribuição original e preciosa para trazer ao mundo. A evolução da mulher consiste no desenvolvimento pleno de suas possibilidades, que são grandes, originais, criadoras, complementares e não concorrentes com as do homem. 
Finalizando, quando um homem deixa uma mulher a quem amor verdadeiramente, e deve no entanto deixar, não a insulta, mas continua em sua alma a reservar-lhe reconhecimento por aquilo que ela foi para ele, pela experiência humana não inútil, não indígna, que a ligou a ele. O fingido e o homem vulgar passam repentinamente do amor ao desprezo, da apologia à difamação, e acumulam motivos para persuadir a si mesmo e ao próximo da honestidade e fundamento de sua mudança. O homem sábio sabe que houve uma infidelidade, sabe que isso não é coisa a ser tomada levianamene, mas aceita-a com firmeza porque está convencido de que uma infelidade fiel é algo melhor do que uma fidelidade infiel.
O bem de ontem não pode haver-se tornado, repentinamente, mal de hoje, e aquilo que deixo de alguma forma me nutriu e acalentoiu.
O não que tem valor é sempre meio para um fim, não porém um sim, renúncia para uma conquista.

 
Roberto Gonçalves
Escritor
Beto da Montanha
Enviado por Beto da Montanha em 19/08/2016
Alterado em 23/08/2016
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