Roberto Gonçalves

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"

Textos


AMIGOS E DEVOTOS FALAM DA SERVA DEUS
 
    Eu me chamo Maria Cesarina Gonçalves Borges Conheci irmã Benigna em vida, no ano de 1976. Eu já morava no Bairro Prado e fiquei sabendo que ela rezava e alcançava graças.
     Fui procurá-la no Colégio Nossa Senhora da Piedade. Ela me atendeu muito solícita, muito alegre e rezou comigo na Capela, de mãos dadas, e me pediu que levasse o Serginho, meu filho. Ele estava estudando para o vestibular. Serginho não fez cursinho e nunca foi muito de estudar, embora fosse muito capaz e inteligente. Marcamos um encontro e levei-o. Euma salinha do Colégio da Piedade, ela deu a mão a ele e rezamos a Salve Rainha. Irmã Benigna entregou o vestibular do meu filho nas mãos de Nossa Senhora e disse que ele iria passar no primeiro vestibular, e isso deu muita alegria a ele. Serginho tinha voltado dos Estados Unidos, onde fez 2 anos de um curso de aperfeiçoamento por ter ganhado uma bolsa de um curso de inglês. Com o encontro e a força da Irmã Benigna, ele ficou encantado com ela e de fato, passou na UFMG, em Economia, muito bem classificado. Eu fiquei muito agradecida a Irmã Benigna, e me tornei sua amiga. Tudo que ela precisava e pedia, eu a ajudava. 
     Eu tinha um carro fusca e ela falava assim. "D.Cesarina, preciso ir em tal lugar", eu morrria de medo de dirigir em Belo Horizonte. Irmã Benigna me encorajava e dizia: "Não precisa ter medo, Nossa Senhora guia todos os guardas para nós. Ela passa na nossa frente e eu te ensino". Assim nós iamos seguindo. Me divertia muito com ela nessas ocasiões do carro. Ela era muito brincalhona e dizia: "Este carro não está mais me cabendo, vou rezar para você comprar um carro maior". Eu achava graça e empurrava o banco para trás, ela era muito grande. Éramos grandes amigas. Eu tinha por ela uma verdadeira veneração.
       Nosso médico era o mesmo. Dr. Múcio Magalhães, e de vez em quando eu a levava. Me lembro bem dela ficar assentada, aguardando naquelas cadeiras da sala de espera. Eu corria e assentava ao seu lado e ficávamos de mãos dadas; não me esqueço de sua mão grande. Rezávamos o terço. Era uma grande alegria para mim.
       Eu possuia relíquias que ela me dava para a família toda, me dava orações diversas, que eu colocava na minha casa. Ainda hoje, possuo algumas relíquias feitas por ela, as quais guardo com muito carinho, dentro dos travesseiros. 
       Irmã Benigna dava as relíquias para todo mundo e pedia para colocar no carro, em casa, dentro do travessseiro, no corpo. Uma vez, ela deu uma relíquia para minha sobrinha Elizabeth colocar no carro. Quando ela vendeu o carro, ela esqueceu a relíquia dentro dele e ficou triste demais, pois desde que começou a usar, nada de mau nunca lhe aconteceu. Nessa época, Irmã Benigna já tinha falecido. Ela então pediu para Irmã Benigna dar um jeito, que ela não queria ficar sem aquela relíquia. Passado um ano, ela parou no sinal e viu seu antigo carro parado ao seu lado. Ela então pediu que a moça encostasse e explicou que o carro tinha sido dela e que queria procurar algo valioso esquecido dentro do porta-luvas. Minha sobrinha encontrou a relíquia, escondida no cantinho do porta-luvas. Até hoje ela possui essa relíquia e não a larga para nada.
        Irmã Benigna adorava flores e gostava muito de arrumar o altar. Às vezes, eu chegava no colégio da Piedade e me deparava com ela arrumando o altar da capela, sempre feliz e sorridente.
      Jamais deixei de atendê-la, largava tudo que estava fazendo para ajudá-la. Nessa última vez que a vi, ela já estava muito doente, embora não reclamasse de nada. Todas as vezes que eu ia buscá-la, encontrava outras pessoas conversando com ela, combinando doações para levar a Lavras. Ela estava sempre fazendo caridade.
       A última vez que ela me chamou para sair com ela, em seu último ano de vida, ela tinha me pedido para levá-la nos lugares necessários para comprar o material das relíquias que ela fazia. Chegando na Associação São Vicente de Paulo, onde compramos o Escapulário Verde, logo na entrada, tinha uma Imagem de Nossa Senhora bem grande. Irmã Benigna abraçou a imagem muito forte e disse-me: "Cesarina, eu amo tanto Nossa Senhora! Quando será que poderei conhecê-la pessoalmente e abraçá-la assim, como estou fazendo agora?" Eu  respondi, brincando: "Tomara que seja bem pra frente! Esta foi a última vez que estive com Irmã Benigna.
       Um dia, eu estava em casa cuidando de meus afazeres e recebi uma ligação avisando da morte de Irmã Benigna. Foi um susto muito grande. Corri para o Colégio da Piedade e lá encontrei seu corpo sendo velado. Eu levei o meu terço e queria colocá-lo em suas mãos. Ao redoer do caixão havia 4 guardas e não me deixaram beijá-la. Eu fiquei ali rezando e dissew: "Irmã Benigna, vou beijar sua mão de qualquer jeito! Eu chamei um guarda nun canto e pedi que ele ajudasse, que despistasse os outros guardas, disse que ela era minha amiga e que eu precisava pular as cordas e beijar sua mão. Eu pulei o cordão de isolamento, beijei suas mãos e só depois senti os guardas me puxandso. O terço, os proprios guardas colocaram um pouco em suas mãos. Sua morte foi motivo de enorme tristeza. O enterro estava muito cheio, todos chorando. Eu sentia que tinha arrancado um pedaço de mim.
       Depois de sua morte, começaram as novenas em túmulo no Cemitério do Bonfim, às segundas feiras, onde frequentei muitos anos. Parei um tempo, por sentir dificuldades de chegar ao Cemitério, e depois voltei a frequentar. Quando voltei, fiquei encantada com a multidão de pessoas que participavam da Santa Missa e rezavam a novena  Neste dia alcancei uma grande graça.
       Sempre acompanhei a vida da Irmã Benigna, participava das Missas em sua homenagem e ouvia os milagres que muitas pessoas alcançavam. Conservei a sua lembrança muito viva no meu coração e nunca perdi uma Missa em sua homenagem.

 
Maria Cesárina Gonçalves Borges
Professora
Maria Cesarina Gonçalves Borges
Enviado por RG em 09/07/2014
Alterado em 03/10/2020


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