Roberto Gonçalves

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"

Textos


Em devesa da emoção e da vida
 
   Dídimo Paiva, estribado em seus talentos de pensador e jornalista, doou-nos, através da Opinião de domingo, 17/07/96, um denso texto "em defesa da razão e da vida". Persuadido de que o auto-de-fé na ciência, feitichismo iluminista, legou ao homem conforto e tecnologia, mas encarcerou-o na escuridão ética. Dídimo, em seu artigo, convida a que todos nós repensemos o mundo. Diz ele: "As novas tecnologia resolvem alguns problemas, mas não fazem o essencial – dar uma resposta para o coração de cada ser humano".
   Solução: De minha parte, creio que tal resposta não será encontrada no campo do espírito racional. Não se pode extrair da razão aquilo que ela não tem. Ou seja, respostas para o coração, busquemo-las no coração. Contudo, para se fazer esse exercício , torna-se visceralmente necessário romper com parte de nossa cultura, aquela que se alicerça no idealismo e no pensamento clássico, o qual ex-agora na valorização do espírito (razão). Adverte-nos o prof. Gerson de Brito Mello Boson em sua "Filosofia do Direito" (Ed. Del Rey) que "devemos ter uma ideia mais modesta acerca do espírito e da vontade humana no curso dos acontecimentos históricos. O espírito (razão) e a vontade do homem não podem significar nada além de direção e condução".
   Corroborando com a tese, assim se expressa Daniel Golemanm (em lnteligência emocional, Ed Objetiva): "há crescentes indícios de que posições éticas fundamentais na vida vêm de aptidões emocionais subjacentes. Por exemplo, o impulso é o veículo da emoção, a semente de todo impulso é um sentimento explodindo para se expressar em ação. E, continua – "o fato de que o cérebro pensante se desenvolveu a partir das emoções muito revela sobre a relação entre pensamento e sentimento; havia um cérebro emocional muito antes de um racional". O que quero dizer é que temos nos dedicado muito pouco à pesquisa científica em torno do papel dos sentimentos na vida mental. Sei, também, que a tarefa não é fácil, é hercúlea! Diz Goleman, com a precisão de uma balança de farmacêutico, "que levar a cognição  (conhecimento) ao campo do sentimento tem o efeito meio parecido com o impacto do observador no nível do quantum na física, que altera o que observa". Entretanto, se não o fizermos, certo é que nesse vazio haverá um campo extremamente fecundo para as "crendices", para os livros de auto-ajuda, cartomantes, bruxos e anjos. Consequência – creio eu – não da pobreza de nosso espírito racional, mas, sobretudo, da miséria de nosso espírito emocinal. Assim, aquele que, como Dídimo Paiva, sai em defesa da razão deve – penso eu – fazêlo defendendo um melhor estudo de nossas emoções, área inexplorada de nosso ser há séculos. Como diz dr. Damásio (em "O Erro de Descartes); "Nosso cérebro emocional está tão envolvido no reaciocínio quanto o cérebro pensante". Em meu travesso "O Velho Testemunho Segundo a Poesia", Ed. Del Rey), escrevo: "Se encontrares o amor, bebe-o com teus lábios sem receios. Ignore o ritmo da razão, Sua função é instrumental. Preste-se, como o arado é útil ao lavrador, para sulcar o terreno dos sonhos posto diante dos olhos pela audácia amorosa. A razão não cria sonhos, ao contrário, apaga-os, se lhe permitirmos supremacia. Afirmo-te que a "vida somente está  filosoficamente correta quando o amor cria os sonhos e a razão os resolve para que Deus espalhe as sementes" Quem tiver olhos, escute!

                                    Luis Carlos Gambogi
Advogado, prfessor de Filosofia do Direito na FUMEC
Luis Carlos Gabogi
Enviado por RG em 25/10/2014


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