Roberto Gonçalves

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"

Textos


Carta a Roberto

  Emocionada terminei de ler "Encontros".
Sensibilizada parei tudo para ler "Liras ao Vento".
Encantei, com a honestidade, intensidadade de um homem inteligente, sofrido, por vezes angustiado e muito sensível.
Em cada texto me encontrei. Encontrei reflexões que sempre me faço. Citações que admiro. Dores e prazeres vividos na inteireza do ser filósofo e gente plena. 
  Lembro-me do mestre Jung: - O mal qu evitamos nos faz mal.
Vi que já é um filósofo clínico, pois rompe com as tipologias e rótulos. Observei o amor a natureza, e ao falar do Carmo do Rio Claro, trouxe a memória de minha queria sogra que estudou lá e sempre contava "causos" da sua querida cidade.
Lembrei-me dos cinco homens com armas em nossas cabeças, minha, do meu marido e dos filhos em Cabo Frio. Salvamos por milagre divino. 
  Mas, o que mais me tocou foi seu testemunho, a partir da página 176, do livro Liras ao Vento, falando da Depressão. Jung escreveu toda sua obra depois de ter rompido com Freud e ter vivenciado uma profunda depressão. Os pantanais da alma traz dor e surge em algum momento na vida de quem trilha em direção em direção a totalidade. Como diz Nietzche: - O que não nos mata nos fortalece.
  Em vários trechos da leitura fui encontrando alguém, que como eu, ama Deus, a família, os amigos e gosta de gente. Que ama poesia e sabe que a ciência tem seus limites, podendo se tornar destruidora e perigosa. 
Agradeço, por me fazer parar um pouco neste domingo e refletir muito. 
  Precisei deixar os programas de rádio que faço prontos, pois viajo no próximo domingo. Programas que não tem fins lucrativos, mas é minha forma de servir. Trabalho bastante, por amor, na clínica e nos grupos de Bionergia. Mas, tenho cuidado de romper com tudo para cuidar de mim. Aprendi com Jung que o tamanho da luz é o tamanho da sombra. Por isto procuro o caminho do meio, pois sei quão fácil é sermos engolidos pelas hybris. A meia idade não perdoa ninguém. Eu sou uma pessoa angustiadamente feliz. E não me tirei a angústia, ela é que me faz ser eterna aprendiz.
  "Escrever é acordar palavras". Escrever para mim é deixar a alma expressar. Amo as Artes, a Filosofia. A Espiritualidade é meu suporte, meu fio condutor. Cristã budista, taoista, sen...Sannyassi. Médito diariamente. Estou terminando o livro "O Romance de Jeus - O códige da Rosa". E escrevendo o contraponto da Surpreendente arte de amar: CRIS - TAO: em NÓS", pois o que surpreende é o desamor. 
Ando sempre com  a mala pronta, peregrina. Vou pelo mundo a fora, vendo, sentindo.. Abrindo minha alma e coração, amando..
  Meu lema é simplicidade. Franciso é meu mestre. Cristo minha luz, Oscho meu filósofo. 
  Aprendo com os indios. Cada ano fico um pouco numa tribo. Já estive com os indios peruanos, com os mexicanos em San Cristovão  delas Casas e agora estou a caminho dos indios americanos... Sei que não precismos ir... Mas, como sagitariana, ascendente em Escorpião, sou chamada! E vou! Curisosa. Hermes me convida. .. e me chamam de louca.
Pois, da mesma forma que amo Apolo, adoro Dionisio. No seu teatro na Grécia declamei. No templo de Afrodite escrevi um lindo poema para ela. Depois lhe envio.

No Gates do Ganges, em Varanasi, Índia, chorei três dias, sem parar. E depois meditei onde Buda fez seu primeiro sermão. De lá saiu meu "Livro do É possível" que esgotou na primeira semana. 
  No Egito, fiz uma iniciação pelos templos na encosta do Nilo, terminando nas pirâmides.
Nas Mesquitas de Marrocos, saudei e li o Corão.
Nas Catedrais do mundo a fora orei. Rezei com monges franciscanos em Assis.
  Sou da estrada ! Peregrina !
  E oro a cada amanhecer e agradeço cada minuto de minha vida que é um milagre.

  Conhecer você, que mora em minha terra natal, foi e está sendo um presente. Obrigado. Com certeza estamos reenconcontrado...
  Estudei no colégio Santa Maria, na floresta, dos 9 aos 18 anos. Morei em Santa Tereza até 22 anos. Depois saí pela estrada a fora e me sitiei em Juiz de Fora. Aqui as montanhas são azuis. Moro sobre uma e posso ver horizontes e ainda dá para ver o céu estrelado.
  Neste final domingo...
  Vejo a luda minguante me namorando.
Frida Khalo em  papier  marché. Somos cumplices no amor e na dor. 
  E posso lhe dizer: - Boa noite !

 
Rosêngela Xavier Rossi
Filósofa Clínica, Psicóloga e Palestrante, Escritora
Rosângela Xavier Rossi
Enviado por RG em 12/02/2016
Alterado em 12/02/2016
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